quarta-feira, maio 17, 2006

Cruzadas literárias I

Cada medida tem a sua ferramenta.

Massas em balanças, volumes em receptáculos, sabedoria em erros. Na literatura, a ferramenta de avaliação mais comum é o chamado “estilo”.

Nos últimos tempos, tem emergido bastante um estilo chamado de “fantasy” ou fantástico. Basicamente consiste em exercícios criativos extremos, cenários abstractos e que ao mesmo tempo assentam no colectivo da humanidade. Nomeadamente, dentro desse estilo existe uma subclasse mais jovem, o “high fantasy”.

Sendo mais jovem, é mais bruto e apela mais a adolescentes e jovens adultos. Apesar de não morrer de amores pelo género, reconheço o seu potencial. Contudo, esse estilo tem os seus inimigos.

A sua causa não é de todo injustificada. Afinal, vários títulos do género surgem já emergidos numa grande rede de clichés e de histórias pouco originais, autênticas receitas. Mas eu pergunto, é um fenómeno isolado.

Algo me diz que não.

Quantos clones não existem? Em todos os estilos. Alguém se lembra do space opera? Ou mais recentemente, o surto de romances “pseudo-históricos” “pseudo-policiais”? Qualquer ramo da literatura que dê bons frutos está condenado a produzir sementes que dão árvores pálidas e tristemente semelhantes à mãe.

E é isso que digo aos inimigos de um estilo que usam estes argumentos. Escolheram o antagonista errado. É a má literatura que devem combater e boicotar.