<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134</id><updated>2011-06-08T07:10:22.085+01:00</updated><title type='text'>Ars Scientia</title><subtitle type='html'>Lá porque a perfeição é aborrecida, a compreensão é um mal necessário. Onde ciência, artes e letras convergem num estranho expoente.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115948145130918471</id><published>2006-09-28T23:09:00.000+01:00</published><updated>2006-09-29T23:14:03.666+01:00</updated><title type='text'>Nova morada</title><content type='html'>O Ars Scientia vai mudar de casa para a WordPress. Espero que nos continuem a visitar em:&lt;br/&gt;http://arsscientia.wordpress.com/ &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115948145130918471?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115948145130918471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115948145130918471' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115948145130918471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115948145130918471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/09/nova-morada.html' title='Nova morada'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115816046486939723</id><published>2006-09-13T14:44:00.000+01:00</published><updated>2006-09-13T16:17:31.740+01:00</updated><title type='text'>M.L.K. - Manifesto Liberdade e Kultura [Parte III]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Centremo-nos, agora, nisto: as fogueiras provocam as sombras - os inter&lt;i&gt;mediá&lt;/i&gt;rios provocam os fenómenos. Estabeleço pois: é necessário queimar as fogueiras! Chegou o tempo em que o escritor fala ao leitor, o realizador vê o espectador, o músico ouve o fã. E o instrumento da libertação tem o nome de: &lt;i&gt;internet&lt;/i&gt;. E a libertação chama-se: &lt;i&gt;gratuidade&lt;/i&gt;. Do céu caiu uma estrela: ela é o sinal! Na literatura, os &lt;i&gt;blogues&lt;/i&gt; permitiram uma inédita proximidade entre os dois lados da barricada, construindo-se tantas vezes como complemento ao próprio livro; a possibilidade da criação simples de &lt;i&gt;e-zines&lt;/i&gt; favoreceu a divulgação de grupos menores antes sem meio de expressão. Em cinema, tivémos já este ano o vanguardista exemplo de Soderbergh com &lt;i&gt;Bubbles&lt;/i&gt;, lançado simultaneamente nas salas, na televisão e em DVD; bem como o &lt;i&gt;case study&lt;/i&gt; do recentíssimo &lt;i&gt;Snakes On A Plane&lt;/i&gt; em que a produtora, sob pressão dos fãs na net, se viu obrigada a filmar novas cenas. Musicalmente, os selos, apocalipticamente, abertos abriram abertamente o futuro: a Universal passará a distribuir as suas músicas gratuitamente já pelo final do ano; as &lt;i&gt;netlabels&lt;/i&gt; são uma realidade emergente; os A&lt;i&gt;rtic Monkeys&lt;/i&gt; são a prova de que a Rede funciona como plataforma de lançamento de novos artistas;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;na Suécia, domingo saberemos os resultados eleitorais do &lt;i&gt;Piratpartiet&lt;/i&gt;. No Canadá, no ano passado, um projecto de lei que visava criminalizar os &lt;i&gt;downloads&lt;/i&gt; foi reprovado (de resto, mesmo em Portugal só o &lt;i&gt;upload&lt;/i&gt; é estritamente punível) - em contrapartida, parte do preço dos CD-Rs reverte a favor dos artistas e editoras discográficas. Pedro Leitão, responsável pela &lt;i&gt;TestTube&lt;/i&gt;, profeta khalil gibran, anunciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"&lt;i&gt;Há quem diga que o &lt;/i&gt;download&lt;i&gt; gratuito é um roubo. Mas o &lt;/i&gt;download&lt;i&gt; não é gratuito, visto que implica um pagamento ao ISP que fornece o acesso à Net. Deviam ser os ISP a pagar ás editoras pelos &lt;/i&gt;downloads&lt;i&gt;, á semelhança do que rádios e discotecas já fazem com as taxas dos direitos de autor. Um dia, a música será um bem fluido, pago por uma conta mensal, como a luz ou a água."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Estes, irmãos, são os sinais dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas até que ponto estamos nós, artistas, prontos a acompanhar esta mudança? O mercado musical é aquele que, a uma primeira análise, mais facilmente - também porque nele mais rapidamente a viragem para o futuro se processa, por ser a arte maior - se adaptará e salvaguardará os interesses dos seus artistas. Afamados cantores já foram prontos, há muito, a esclarecer que não se opõem ao &lt;i&gt;download. &lt;/i&gt;Vimos já anteriormente que, verdadeiramente, quem beneficia do sistema actual de venda de CDs são as editoras, pois nem mesmo na rica América a margem de lucro para os compositores chega a atingir os 10% sobre o preço de capa. Estabelecemos já que o sustento dos músicos são as suas &lt;i&gt;tours&lt;/i&gt; e um sistema como o proposto por Pedro Leitão ou a forma como, pela publicidade, a Universal vai continuar a lucrar, asseguram a permanência de outros rendimentos menores extras. Com o tempo, sonho!, nesse tempo de fraternidade que virá, emergirão mesmo estúdios gratuitos, construídos pelo dinheiro de várias bandas reunidas que abrirão as portas destes aos novos, dispensando-lhes material, como quem convida para ser o &lt;i&gt;supporting act&lt;/i&gt; de uma &lt;i&gt;tournée&lt;/i&gt; - e a música florescerá, como uma magnólia - porque branca de pureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cinema, como pode um realizador actuar neste novo espaço e novo tempo (a quarta dimensão) sem inter&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mediá&lt;/span&gt;rios? O filme é, indubitavelmente, das três artes que vimos falando, a que mais meios envolve, mesmo quando o seu orçamento é nitidamente baixo, também porque, evidentemente, é a que emprega mais pessoas. No dia em que o dinheiro se extinguir, há uma aurora boreal que anunciará a dissolução dos problemas que falamos - e Tyler Durden sorrirá. Hoje, permanece, estátua, a necessidade de alimento. Aos cineastas, como músicos em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tournées&lt;/span&gt;, resta receber dividendos da exibição pública das metragens antecipadamente. Duas perguntas: 1) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como&lt;/span&gt;, se os cinemas não são controlados pelos cineastas? 2) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como&lt;/span&gt;, se a ida sociológica ao cinema está em queda? Obviamente, o sonho pressupõe o sonho. Se Coppola e Lucas fizeram a Zoetrope, se Von Trier concebeu Zentropa, se Spielberg criou a Dreamworks, eis chegada a hora de os realizadores, além das suas produtoras, formarem as suas salas, assegurando pessoalmente e directamente a distribuição dos filmes e recolhendo os lucros da exibição. E como um dia os estúdios serão dos músicos, assim virá aurora em que lusomundos serão dos cineastas. Mau grado a crise do ano passado, público continuará a afluir ao cinema, porque o grande ecrã é a essenciabilidade da sétima arte. Um 5.1. dollby surround não substitui um josé lúcio leiriense. Há sempre uma razão para ir ao cinema - mas é preciso também que fabriquemos essa razão. Experiências como o IMAX ou o Optimus Open-Air são pioneiras nesse campo nos tempos nossos, mas que falar do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Napoléon&lt;/span&gt; de Abel Gance em 1927 ou os drive-ins doutrora? Adicionalmente, outra possibilidade, secundária, de financiamento dos artistas da área é o mecenato dos espectadores. Leiam-se, de novo, astrologicamente, os signos:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;We now live in an era where a blogger like Josh Ellis could ask his readers to pay him$500 so he could travel to Nevada and write an essay about his trip to the origins of the Manhattan project or where Daniel at  PouringDown.tv could raise over $2000 from dozens of readers via Fundable.org to go and make a film a day on a week long road trip for the Seven Maps project&lt;/span&gt;&lt;a style="font-size: 12.1333px; line-height: 17.0222px; font-style: italic;" href="http://pouringdown.tv/sevenmaps/" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Nicol Wistreich, em &lt;a href="http://www.netribution.co.uk/2/content/view/916/277/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Torrents, Piracy and Beyond: Will Film Industry Survive?&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Certos dirão que isto se traduziria, redundantemente, na não gratuidade dos filmes. Mas estamos perante uma falácia, porque obviamente o espectador nunca financiará todos os filmes que consumirá. Outro projectos gratuitos angariam também eles: nomeadamente a Wikipedia. Outros afirmarão que os realizadores se libertarão da escravatura da indústria só para resvalarem para a do público: o realizador, em vez de ter de convencer um estúdio, terá de convencer o seu público - o que é sempre a prova derradeira, agora tornada primeira. E o público não pode nem deve ser um problema - um filme, como veículo de uma mensagem, de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;weltanschauung&lt;/span&gt;, precisa de um interlocutor - cujo nome é: Público. Mesmo uma visão muito pessoal, necessariamente pouco apelativa às massas, encontrará nelas, quando elevadas cultas, suporte. E o cinema brotará como  um rio - porque nasce nas montanhas, chamadas: Alturas, e desce ao mundo, regando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, escritores que somos nós, como nos vestimos de festa para a celebração? O material mais precariamente protegido, mais propenso ao plágio, é, indiscutivelmente, o nosso. Possuímos, frutuitamente, mecanismos e organismos que asseguram os nosso direitos morais sobre as obras, conquanto as registemos. Verdadeiramente, muitos, pouco passam deste estádio. As editoras, protectoras, consentem, em matérias invisíveis como a poesia, na publicação se os lucros respeitantes ao autor revertem para elas até que os custos de publicação estejam cobertos. Tendo em conta que o lançamento de poesia em Portugal é, praticamente sempre, um investimento não recuperado, nunca poeta algum ganharia pão com a sua poesia senão em utopia. Assim, ao poeta colocam-se, francamente, poucas dúvidas, pela prática, de gratuidade da sua poesia. A publicação é perseguida pelo formato palpável de livro que permite - e é a dificuldade de extinção deste que condiciona, na literatura, o objectivo comum para Arte que aqui temos prosseguido. Se a música percorreu diversos formatos, do saudoso vinil ao impalpável &lt;i&gt;mp3&lt;/i&gt;; se o cinema coube primeiro em película e hoje é digital, foi primeiro bobina, sofreu a metamorfose de ser VHS e acabou, mariposa, em DVD só para, insecto, se extinguir breve e das duas asas chamar-lhes, à esquerda, HD-DVD, e à direita, Blu-ray; o livro, esse, inalterável, ficou gutenberg desde o (re)nascimento. É pois complicado conceber o livro num formato alheio ao papel, livro cibernético e informático em plenitude. E isto condiciona a situação do escritor na nova distribuição da Arte: por um lado, é desconhecido qualquer meio de rendimento consistente de um escritor a tempo inteiro que não as suas obras (não há, como no cinema, salas; como na música, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tours&lt;/span&gt;); por outro, o papel terá de ser sempre pago, inclusive por razões ecológicas. Uma reflexão pertinente aflora, contudo: raros são, excepto velhos, os só-escritores. A escrita tem por característica ser sempre uma actividade secundária longamente. Não se ouve falar de músicos, mesmo entre os menos conhecidos, que, após o lançamento do seu primeiro álbum, permaneçam no activo numa qualquer profissão de secretária. Paralelamente se comportam os cineastas, intercalando entre longas-metragens, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;videoclips&lt;/span&gt; e anúncios publicitários. A condição da escrita é, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ipso facto&lt;/span&gt;, árdua. Excepcionando traduções, ninguém pode viver de se sentar ao computador. Mais uma vez, o escritor aparece, dentre as três artes que, sistematicamente, temos vindo a analisar, como o mais propenso a mais facilmente ceder à gratuidade, por o seu estado ser, de facto, bastante semelhante já a esse, de resto. Publicar um livro é muito mais a necessidade de uma concretização da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;natureza&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;modo&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;forma&lt;/span&gt; da escrita do que um verdadeiro lucro. É a condensação de um desejo que brota do interior do escritor, como o é do realizador ver o seu filme numa sala ou do música de uma audiência a cantar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;along&lt;/span&gt;. A primeira solução ponderada então é, como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bubbles&lt;/span&gt; do cinema, o duplo lançamento da obra: simultaneamente a nível cibernético e editorial/livreiro. Isto materializaria o livro sem ofender a gratuidade que buscamos da Arte. Se o terreno cibernáutico é, nalguns formatos, mais favorável, o rígido papel permitirá a muitos a concretização mais fiel dos intentos. Uma taxação, como os canadianos nos CD-Rs, das folhas de papel (necessariamente requeridas para impressão dos textos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;online&lt;/span&gt;) poderia acalmar os objeccionistas da primeira medida. Creio, sinceramente, na possibilidade fáctica desta nova literatura, capaz até de explorar, modernisticamente (isto é, em jeito dos primeiros modernistas), as potencialidades do ciberespaço e as incluir na sua própria estrutura. E a literatura será como a semente da mostarda - "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;é a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais: até, amigos!, nesta luta, legalmente os juízes e os juízos nos compreendem e ajudam! Progressivamente, pela lenta dissolução dos direitos de autor, para a ribalta saltam livros, filmes, músicas! Na altura em que, beatles feitos, cantarmos &lt;i&gt;"when i'm sixty-four"&lt;/i&gt;, poderemos ver gratuitamente um filme de Kubrick, ler um romance de Vergílio Ferreira ou ouvir Nirvana. Mas nessa altura, de resto, professo firmemente a minha fé, ter-se-á cumprido o sonho do primeiro e último filósofo português, Agostinho da Silva, que anunciou, franciscanamente, o tempo da liberdade da arte.&lt;br /&gt;E ser artista será, de novo, desregração.&lt;br /&gt;E a Arte: acontecerá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;6.9.2006-13.9.2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115816046486939723?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115816046486939723/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115816046486939723' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115816046486939723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115816046486939723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/09/mlk-manifesto-liberdade-e-_115816046486939723.html' title='M.L.K. - Manifesto Liberdade e Kultura [Parte III]'/><author><name>Príncipe Myshkin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://i17.photobucket.com/albums/b55/silentdarko/avatar001.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115815500563392307</id><published>2006-09-13T14:33:00.000+01:00</published><updated>2006-09-13T14:43:25.640+01:00</updated><title type='text'>M.L.K. - Manifesto Liberdade e Kultura [Parte II]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve, de facto, um tempo, em que cri que a Arte era um privilégio de elites abençoadas, estranhamente iluminadas - e que, jamais o «povo» haveria de ascender a percebê-la. Que engano!, que convencimento! Apolo, quando nasce, é para todos. Talvez nisso - como em tudo - tenham visto os Gregos mais longe, ao aproximarem, na mesma pessoa, o deus do Sol e o deus da Arte. Mas, hoje, Apolo, do seu carro, olha - e não encontra a lira. Se a Arte é de todos, onde estão «os todos» para a reclamarem? Em vez disso, «os todos», como prisioneiros da caverna da alegoria, festejam com as sombras - mas, lá fora!, o Sol! O Público contenta-se com falsificações, quando os quadros de Munch foram roubados - mas &lt;i&gt;O Grito&lt;/i&gt; e a &lt;i&gt;Madonna&lt;/i&gt; foram recuperados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As massas galvanizam-se com fantasmas, quando, ao lado, na tumba, os falecidos só esperam o seu olhar para ressuscitar ao terceiro dia! Olho em volta - e entristeço-me profundamente, dando vontade de reconstruir o mundo como os «sábios» da Academia de Gulliver. Entra-se numa livraria, mas onde foge a almada exclamação de Almada!:&lt;i&gt;"Deve haver certamente outra maneira de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido."&lt;/i&gt; Hoje, a perdição é, amigo Almada!, a tua outrora salvação! Hoje, quando a sibila me quer mostrar, Eneias, o Inferno, leva-me a uma livraria. Tanta coisa sem jeito que pulula ali e que esforço, Deus que esforço!, para encontrar algo bom que não seja, vinho do porto, velho. E quando encontro, Deus encontro!, encontro, como quem encontra um amigo, por acaso, quando sai do café mas já soubesse antes que no café estava o presidente. Oh Almada!, nem imaginas a publicidade desalmada que fazem a tanta porcaria ambulante para que a comprem! Mas são os nomes delas que discutem na rua, como quando saíram &lt;i&gt;As Minas de Salomão&lt;/i&gt; do Eça. (não sei se percebeste a ironia do contraste). Todos sabem os nomes delas, como todos sabem o nome do presidente, mas, ai!, quem conhece o meu amigo senão eu? Houve um tempo, Almada, em que as pessoas tinham alma e tinham amigos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro no carro. &lt;i&gt;"Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,/Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,/Sozinho guio, guio quase devagar"&lt;/i&gt;, ó Álvaro!, e, para saborear toda a modernidade de um só trago, ligo a telefonia. Mas Álvaro, preferia os &lt;i&gt;intonarumori&lt;/i&gt;, os «instrumentos» de fazer barulho do teu futurismo! Isto é invariavelmente igual: baçamente distingo. Na rádio, imagina Álvaro!, passam plagiadores de músicas japonesas! E sabes o mais cómico nisto tudo? As pessoas gostam, as pessoas gostam [risos]! Já ninguém tem paciência para triunfalmente escutar os ruídos das fábricas: mas, compensatoriamente, taylorizaram a música. Agora, é como uma receita de uma papa de velha no Pantagruel. Tal como a Fanta, as canções hoje só têm 8% de música, e esta à base de concentrado! O mais compõe-se de vitais elementos: 1º a luxúria de uma mulher (&lt;i&gt;"uma mulher bela que não se ama,/Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima."&lt;/i&gt;) (ou, no caso masculino, uma metrossexualidade); 2º coreografias (a Madonna concebeu o cristo - e quando nasceu, veio crucificado); 3º computadores (sonhasses, Álvaro!, que um dia viria que a música seria sem instrumentos e sem músicos!). Depois - seguindo a receita, há o forno para o pão. Porque o pão é uma massa de farinha ensopada. É, revelação!, o forno que faz o pão, o fenómeno, o sucesso. O forno chama-se MTV e rádios. No teu tempo, Álvaro, eles lá na telefonia, quando era chegado o horário, tinham um locutor que criava ali, disco-jóquei, algo maior que ele sendo dele. Escolhia as músicas para mostrar e havia quem preferisse, pelos gostos musicais obviamente embutidos nos programas, mais um que outro. Hoje, Álvaro, os locutores chegam à hipocrisia de nem gostarem das músicas que estão a rodar. Vontadas de dinheiro, as editoras asseguram, como quem paga uma publicidade, um número fixo de audições diárias. Num tempo de cabalas, eu creio numa: aquele programa de fim de tarde, que eles chamam &lt;i&gt;discos pedidos&lt;/i&gt;, deve também estar todo comprado e quem liga para lá são os empregados das grandes marcas discográficas, intermediárias impingidas dos cantores (nota, Álvaro, hoje já não falamos de músicos, mas de cantores!). Houve um tempo em que os músicos acreditaram no DIY. Sabes?, perdeu-se toda a liberdade. O mundo mudou tanto desde o ano da morte de Ricardo Reis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego a casa. Tiro o casaco, abro o maço que poiso depois de acender um cigarro na cómoda do &lt;i&gt;hall&lt;/i&gt; de entrada. Ligo a TV e estendo o braço e compro um comando. Nada. Um vazio. Até a casa está mais cheia, porque me tem a mim. «Produções nacionais» - nome tão alto para o tão baixo! - sucedem-se dinasticamente segundo o molde egípcio de casamentos entre irmãos. O resultado: faraós geneticamente deficientes! Há um ar mongolodita em tudo isto. Desligo a televisão e o cigarro. Monto ao cinema. Olho os cartazes. Raios de não viver em Lisboa! Aqui, o último cinema independente - chamava-se &lt;i&gt;Avenida&lt;/i&gt;, o indigente! - fechou no mês passado. Há um semestre abriram, do outro lado do rio, mais seis salas. Deixá-las! Tiro do bolso da gabardina o bocado amuchucado de jornal do dia da página dos cinemas: três filmes de miúdos sem imaginação e quatro &lt;i&gt;blockbusters&lt;/i&gt; de verão. E estar a acontecer o Festival de Veneza ao mesmo tempo! E a censura?, a censura! Tenho em casa um &lt;i&gt;dossiê&lt;/i&gt; com os obituários pela MPAA. &lt;i&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;"Weitz stated that New Line Cinema feared that "&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;perceived antireligiosity&lt;i&gt;" would make the film financially unviable in the US."&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;Deus, isto faz algum sentido? Houve um tempo - creio que houve - em que ser artista era um bando de &lt;i&gt;enfants terribles. &lt;/i&gt;Hoje, quando vão aos Óscares, vestem-se de gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto são as sombras. Mas há, o afirmámos, Apolo. Imputar, na alegoria da caverna, a culpa inteira e pura à fogueira, só porque ela faz as sombras, é negar que há cadeados a prender as mãos dos seus habitantes. Não há, hoje, senão nos que ainda não cresceram (e mesmo esses crescem já hoje tão depressa!), a liberdade suficiente para admitir e aceitar a Arte verdadeira. &lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;"&lt;i&gt;You have to understand, most of these people are not ready to be unplugged. And many of them are so inert, so hopelessly dependant on the system, that they will fight to protect it.&lt;/i&gt;", ensina-nos Morpheus. &lt;/span&gt;Pouco há, de facto, a fazer com essas pessoas que matarão o filósofo quando ele, visto o Sol, regressar à caverna platónica. Precisamos de uma nova geração - e nisto temos a vantagem de sermos jovens.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115815500563392307?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115815500563392307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115815500563392307' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115815500563392307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115815500563392307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/09/mlk-manifesto-liberdade-e-kultura_13.html' title='M.L.K. - Manifesto Liberdade e Kultura [Parte II]'/><author><name>Príncipe Myshkin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://i17.photobucket.com/albums/b55/silentdarko/avatar001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115815432587710429</id><published>2006-09-13T14:08:00.000+01:00</published><updated>2006-09-13T14:32:05.896+01:00</updated><title type='text'>M.L.K. - Manifesto Liberdade e Kultura [Parte I]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A.S.: a escrita deste texto foi feita em várias partes, umas longas, outras breves, em dias juntos ou separados, em horas diferentes, na diferença toda que pode comportar o espírito. O texto resulta pois como uma enorme manta de retalhos de estilos - se isso lhe traz riqueza ou o ilide, o juiz - leitor! - decide. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.ling.lu.se/persons/Petra/sounds/I_have_a_dream.wav"&gt;I HAVE A DREAM&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Folheava hoje as páginas virtuais, leitura matutina do jornal novo em que se converteu, sem baptismo, a máquina em que escrevo. Nas informações que pesquisava da adaptação cinematográfica do primeiro volume da trilogia &lt;i&gt;His Dark Materials&lt;/i&gt;, encontrei na Wikipedia:&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-GB"  style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-GB"  style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-GB"  style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"In an interview published on the internet in December 2004, Weitz indicated that the film would make no direct mention of religion or of God; two of the key themes of the trilogy - a decision attacked by fans of the novels. Weitz stated that New Line Cinema feared that "perceived antireligiosity" would make the film financially unviable in the US."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este é o Tempo em que Arte diminui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No séc.XX nasceu matarem-se as regras. A libertação libertou-se do que libertar-se. Dadá destruiu toda a seriedade da Arte, e os os russos acabaram com as palavras na literatura (Khlebnikov) e os objectos na pintura (Kandinsky). O Romantismo, enquanto movimento espartaquista, concluiu-se enfim, porque se concretizou finalmente. Na América, houve Greenwich Village. Ah!, esses, esses foram tempos em que o tempo não contava na atemporalidade de que as obras imortais eram cheias! Homens forjaram o quebrar das correntes e ser artista era sinónimo de ser livre! Livre da sociedade, livre da própria arte. Todos eram futuristas, ordenando os incêndios de tudo o que pertencia ao passado, e a inauguração de um tempo novo com a regra nova de não existirem regras. A Arte: acontecia.&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Todo o mundo é composto de mudança"&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o mundo engravidou de mais um século. Mas, ai Darwin!, estavas errado! Mais tempo não significou mais evolução. Os sinais são demais evidentes: a Arte foi taylorizada. Garrett escreveu nas suas &lt;i&gt;Viagens&lt;/i&gt; a receita para uma novela romântica - hoje, tudo tem as suas regras, como se todos tivéssemos saídos de uma gigantesca academia de Belas Artes, chamada &lt;i&gt;cultura pop&lt;/i&gt;. A rádio comprime as músicas a quatro minutos, talvez por o quadrado ser para os gregos a forma perfeita. As editoras literárias, canas de bambu, bamboleiam à boleia das tendências (vide &lt;a href="http://ars-scientia.blogspot.com/2006/05/cruzadas-literrias-i.html"&gt;&lt;i&gt;Cruzadas Literárias&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, onde se distingue o bom do mau fruto). O cinema prostitui-se por um PG13. Estamos a ceder a Arte às massas - e a Arte &lt;i&gt;nunca&lt;/i&gt; foi uma questão de massas. Não que os dois temas sejam antagónicos - e virá, assim creio, o dia em que, pelo contrário, serão sinónimos - mas tal sucederá não porque a Arte se baixou, mas porque o Público se elevou. Porém, repito, a Arte &lt;i&gt;nunca&lt;/i&gt; foi uma questão de massas - porque é um produto, essencialmente, individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto exposição de uma filosofia, de uma mundividência, de uma &lt;i&gt;mensagem&lt;/i&gt;, qualque obra de arte torna-se imensamente pessoal, e, quando é verdadeiramente genial, consegue atingir a universalidade. &lt;i&gt;Anna Karenina&lt;/i&gt; é uma obra de Tolstoi, com as ideias de Tolstoi - mas capta o fundo do ser humano e, aí, ganha o coração de cada leitor e a essência difícil da psique humana. É desta extrema duplicidade paradoxal - de ser simultaneamente a expressão e a expansão de um «eu» e a possibilidade de identificação anónima com o Homem - que Nietzsche fala num passo da sua &lt;i&gt;Origem da Tragédia&lt;/i&gt;: "&lt;i&gt;...pois este «eu» não é já o do homem vigilante, o do homem empírico e real, mas sim o «sujeito» verdadeiro e eterno que existe no fundo de todas as coisas e que o génio lírico sabe reproduzir, penetrando assim até ao íntimo cerne da realidade.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira Arte significa, pois, algo para as pessoas. Fala-se, por exemplo, em confirmação do «paradoxo» de cima, de &lt;i&gt;cinema de autor de massas&lt;/i&gt;, das mãos de Hitchcock, Tarantino, Kubrick ou Spielberg. A Arte é Humanidade e condição essencial, como a Filosofia ou a Ciência, da nossa realização humana. Por isso, a Arte tem Público. Eu não acredito na estupidez das pessoas: eu acredito na sua estupidificação. Se a Arte tem de se livre, não menos livre tem de ser quem se dispõe a acolher essa Arte. E, Deus!, é isso que nos falta! Espíritos livres e espíritos presos que se queiram libertar! Entre o artista e o consumidor surgiu esta figura, exôtica, estranha, condicionante: o editor/o produtor. Nunca houve tanta oferta e nunca a cultura foi tão monólita. Este é o tempo dos &lt;i&gt;media&lt;/i&gt; - «media» porque inter&lt;i&gt;mediá&lt;/i&gt;rios. E, porque inter&lt;i&gt;mediá&lt;/i&gt;rios, eles filtram a produção artística, condicionando o sucesso ou insucesso dos projectos criativos. Vivemos o tempo da Arte fabricada: o sucesso artístico é um fenómeno independente do artista. O sucesso da generalidade dos cantores de hoje em nada se deve aos seus talentos, mas à MTV; o triunfo de filmes de acção repetidos e comédias românticas adolescentes, ao &lt;i&gt;marketing&lt;/i&gt;; as vendas de inúmeros autores, a irem às cavalitas de um género que obtém um &lt;i&gt;breakthrough&lt;/i&gt;. Goethe escreveu na &lt;i&gt;opus Fausto&lt;/i&gt;:&lt;i&gt;"Que a sorte sem mérito pouco vale/Um tolo nunca o entenderia;/Tivesse ele a pedra filosofal/E inda o filósofo à pedra faltaria." &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115815432587710429?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115815432587710429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115815432587710429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115815432587710429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115815432587710429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/09/mlk-manifesto-liberdade-e-kultura.html' title='M.L.K. - Manifesto Liberdade e Kultura [Parte I]'/><author><name>Príncipe Myshkin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://i17.photobucket.com/albums/b55/silentdarko/avatar001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115546829995170248</id><published>2006-08-13T12:12:00.000+01:00</published><updated>2006-08-13T12:24:59.966+01:00</updated><title type='text'>Um herói tem mil faces… mas só uma história.</title><content type='html'>Eventualmente, todos regressamos às bases.   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Cada simples e única, cada complexa ou abstracta experiência tem de ter algumas credenciais. Ninguém vai para um laboratório sem saber o que vai fazer, sem um protocolo. Apesar deste argumento, não encontrarão pessoa que defenda tão firmamente o papel de criatividade e imaginação no processo de descoberta.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Só que para abrir uma porta, é preciso saber onde está o puxador. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Qualquer processo criativo começa com um desabrochar, com as suas equações ou integrais de séries. Cada autor tem as suas hipóteses, as suas teses… e cada autor procura evidências, suporte para elas. Quando não são usadas para justificar plágio, na literatura estas evidências têm um nome.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Influências.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Porque nada existe no vazio, nada é solto ou inconsistente. Não. Comportamento editorial, comportamento histórico, comportamento criativo… todo ele é comportamento humano. Ou seja, o comportamento de chimpanzés que gostam de contar histórias.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;Reconciliar-me com elas é uma das coisas que mais gosto de fazer quando começo um trabalho novo.&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ora, uma das minhas grandes “evidências” é o trabalho de Joseph Campbell intitulado de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Hero With a Thousand Faces&lt;/span&gt;. Um livro comparativo, um estudo de padrões entre a natureza dos protagonistas, da história humana.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As conclusões são simples, cada herói tem um caminho, que Campbell divide em quatro fases. Uma sacra conjunção que começa com a Partida, com o abandonar dos ambientes conhecidos, recolhendo Ajudantes e Objectivos. Por fim atinge o Limiar da Aventura, atravessando-o nalgum confronto climático: seja ele dragão, mítica viagem ou crucificação.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Feito esse marco, entra na Iniciação: o herói começa a ter consciência das suas fraquezas e forças. Provas e provações seguem-se, monstros ou enigmas, rios de problemas que exigem dele a energia de um fértil salmão. Neste passo, o herói partilha muito dos Ajudantes e Inimigos, usando-os como escada para o outro limiar…&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O Eixo do Mundo, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Axis Mundi&lt;/span&gt; de Campbell. O momento em que o herói tem plena consciência de si e do seu papel no universo da história. Esta compreensão surge de diversas formas. Imortal elixir, ascensão aos céus, humana transcendência, um sagrado casamento, consumação de sonhos… é o pináculo do herói, o ponto-chave que o diferencia dos Ajudantes e dos Inimigos, dos comuns e caídos mortais. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, nesse círculo, acabou o Mistério. O herói não pode subir mais… Tendo chegado ao Trono do Mundo, agora há que descer. Então começa a rota da tragédia, que de trágico poder se oferece. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É a altura de Regressar, a separação e partida dos Ajudantes, talvez eles agora os seus próprios heróis. As transformações daquilo que viu acompanham o herói, mudando-o. A magia do seu ser alterou-se e começam a notar-se claras diferenças com a criatura relativamente inocente e ignorante que saiu de casa. Por fim, alguma manifestação surge deste novo herói. Ou um Ulisses retornado que com o filho extermina os pretendentes dos seus direitos, um Sebastião reconhecido, um Teseu coroado ou um Cristo ressuscitado, algo volta a cruzar o Limiar da Aventura, um último acto heróico para terminar a história. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Chega então o fechar do círculo, quando o herói se prepara para o declínio. Alguns têm mortes esquecidas, outros fecham-se em legados, construção de cidades e somando os sonhos dos mortais aos céus. Outros caem, tornando-se meras sombras dos seus antigos eus, corrompidos e esquecidos. Reino e Morte, isto espera ao herói no fim da história. A desova do salmão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Reino e Morte e a esperança de sequela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://mail.tku.edu.tw/kiss7445/KissHomePage/Literature-Arts/heroiccycle.GIF"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://mail.tku.edu.tw/kiss7445/KissHomePage/Literature-Arts/heroiccycle.GIF" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É fácil compreender o paralelismo. O heroísmo da questão fundido num só ponto concêntrico, que transforma cada e única história num monómito de Joyce. Mas que propósito podemos tirar daqui? &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Muitos. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É preciso de ver a visão humana que Campbell dá de herói. Ele fecha o seu trabalho divagando sobre os papéis do herói, as forças e formas sobre qual a sua natureza se manifesta. As suas transformações. O herói como Guerreiro. Como Amante. Como Imperador e Tirano. Como Redentor do Mundo. Como Santo e como Encoberto. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O herói como expoente humano.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para terminar esta conclusão, recordo de uma comparação que uma vez fiz, sobre o Caminho do Parvo, familiar para aqueles que conhecem o baralho de Tarot. As semelhanças entre ele e esta… redundante via do herói. E tal como uma pessoa me disse na altura, isso é pouco mais do que o desenvolvimento de um ser humano, o que as cartas contam não é diferente das palavras de Jung, Freud e Erickson. E ela tinha toda a razão do lado dela.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.joydancer.com/TACO/images/tarot_fool1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://www.joydancer.com/TACO/images/tarot_fool1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tudo evidências, tudo parte de um padrão. A mensagem? &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No fundo… estes chimpanzés contam histórias sobre o que mais ambicionam. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sobre o que querem atingir. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E não é as copas das árvores.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A libertação, a compreensão de uma dimensão maior onde estão inseridos.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Crescimento.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Humano&lt;/span&gt; crescimento.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://astro-services.com/images/illustrations/tarot/themagician.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://astro-services.com/images/illustrations/tarot/themagician.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://astro-services.com/images/illustrations/tarot/themagician.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115546829995170248?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115546829995170248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115546829995170248' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115546829995170248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115546829995170248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/08/um-heri-tem-mil-faces-mas-s-uma.html' title='Um herói tem mil faces… mas só uma história.'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115343611194182901</id><published>2006-07-20T19:02:00.000+01:00</published><updated>2006-07-21T11:43:07.960+01:00</updated><title type='text'>A Antígona Discográfica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um pequeno manifesto humorístico a favor do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;download&lt;/span&gt; de músicas que me mostraram  recentemente levou-me a reflectir de novo na legitimidade ou não do acto. Note-se que não me questiono aqui a um nível jurídico - para além de não ter os conhecimentos a isso necessários, é-me de todo irrelevante. Questiono antes a um nível moral, tanto mais que esta é um problema que, a nós, artistas (ainda que os membros deste blogue não se movam exactamente no mesmo campo que aqueles a quem este artigo maioritariamente se refere), nos preocupa, por maioria de razão.&lt;br /&gt;As editoras discográficas argumentam que a prática do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;download&lt;/span&gt; lesa pesadamente os artistas. Até que ponto é esta afirmação verdadeira? Até que ponto não são as próprias editoras que usam aqui os artistas como escudo humano, como bode expiatório salvador (guarde-se o paradoxo)? Pouca é, na realidade, a percentagem de lucros que o artista recebe - muito mais o músico ganha (e daí vem a sua riqueza e sustento) com os concertos. Ora, a própria classe de músicos reconhece unanimemente que a internet (aqui como sinédoque do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;download&lt;/span&gt;) faz mais pela sua divulgação do que qualquer outro meio - logo, mais fãs afluem aos concertos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ergo&lt;/span&gt;, mais dinheiro entra directamente para os fundos dos artistas.&lt;br /&gt;A verdade é que comprar um CD é um acto arriscado, caso já não se tenha uma relação de confiança com a banda. Não se trata do custo do CD em si ser particularmente elevado - o que, no entanto, é facto para as carteiras normais dos concumidores-alvo: os adolescentes e jovens adultos. (Apesar destes preços, somos forçados a concordar quando as editoras afirmam que é um preço baixo para um investimento para toda a vida e que podemos reouvir vezes inúmeras). Porém, ninguém se arrisca a comprar um álbum dum artista que desconhece, correndo o risco de fazer um investimento errado - daí preferirem, tantas vezes, tirar da rede e, depois, compram os novos álbuns do artista - porque, não nos iludamos: imensos consumidores compram mais CDs porque começaram a tirar música da rede e a conhecer artistas, do que se não o fizessem - simplesmente compram-nos, muitas mais vezes, em promoções ou feiras do disco.&lt;br /&gt;A indústia cinematográfica é, no ponto específico do desconhecimento do produto, bem superior, devido à sua rede de cinemas: conseguimos, por um preço diminuto, ver o filme antes de ele sair em DVD, permitindo-nos assim, mediante a nossa reacção pessoal ao seu visionamento, optar por, posteriormente, o comprar ou não - porque já o vimos, por um custo baixo. Porém, isso é impossível na indústria discográfica - e não, não bastam os singles: quantos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;one-hit-artists&lt;/span&gt; não existem? A criação de postos ou dum qualquer serviço onde fosse possível, como cinema-musical, antecipadamente, ouvir os discos, por um preço reduzido, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;musicoclube&lt;/span&gt;, se quisessem, poderia favorecer a compra directa de CDs.&lt;br /&gt;Podem-me dizer que esta argumentação cai por terra tendo em conta que quando se saca música é simplesmente para não gastar dinheiro - não é com a intenção de, posteriormente, se agradar, comprar. É preciso tomar em conta que o bom fã vai-se esforçar por ter o álbum original, regra geral - e que poucas são as pessoas que, de facto, não compram qualquer CD ou não têm originais, ou porque neles investiram, ou porque lhos ofereceram nos anos ou outras festividades. E se quem sacar tiver alguma consciência, investirá nos pequenos artistas, aqueles precisamente mais necessitados.&lt;br /&gt;Ou seja, podemos identificar um conjunto de problemas que, em parte, garantem a legitimidade moral daquele que descarrega músicas da net, conquanto o faça com consciência e sem, por exemplo, objectivo de posteriormente as comercializar no mercado negro. Assim, Antígonas, ignoramos o regulamento de Creonte das editoras, não obstante o castigo - e não nos importamos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115343611194182901?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115343611194182901/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115343611194182901' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115343611194182901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115343611194182901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/07/antgona-discogrfica.html' title='A Antígona Discográfica'/><author><name>Príncipe Myshkin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://i17.photobucket.com/albums/b55/silentdarko/avatar001.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115297256564802216</id><published>2006-07-15T14:36:00.000+01:00</published><updated>2006-09-06T17:48:23.326+01:00</updated><title type='text'>Prometeu &amp; Lúcifer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O presente texto é uma reformulação parcial de um que originalmente escrevi, de rompante, no meu próprio blogue - tal circunstância julgo explicar alguma fogosidade e informalidade que se despreende das palavras. Porque brotou de uma corrente de pensamentos, alguns corrige e emenda à medida que se desenvolve. Para o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Ars Scientia&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; limei algumas arestas, de raciocínio e gramática: aceitam-se, bem desejadas, críticas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://homepage.mac.com/dmhart/WarArt/Daumier/Prometheus.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://homepage.mac.com/dmhart/WarArt/Daumier/Prometheus.JPG" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Cita Nietzsche Goethe, a sua obra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Prometeu&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sentado aqui, eis que modelo homens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;À minha imagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uma raça que me seja comparável,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para sofrer e chorar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para gozar e jubilar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E para não te venerar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como eu!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que, em lendo, na aula, estas palavras, tudo, como iluminação, se me revelou - como eu mesmo, prometeu, roubara o fogo que algum deus olímpico escondera: uma série de encadeamentos de conceitos e noções, até à associação final da&lt;span style="font-style: italic;"&gt; imagem&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes versos do Poeta, aparece-nos um Prometeu que, primeiramente, se caracteriza pela revolta; segundo, pelo acto demiúrgico; terceiro, a ideia do sofrimento. Ante isto, é impossível não ocorrer à mente, correndo, a ideia de Lucífer. Lúcifer é, pela tradição, o anjo caído, que se revolta contra Deus, que resvala, ele mesmo, para o sofrimento (por isso - interpretando o poema citado - cria também os seres humanos "para sofrer", "à minha [sua] imagem") derivado da separação de Deus e do Uno Primordial (não se leia o termo nietzschianamente) - hoje em dia, na própria teologia cristã, o Inferno é indicado já não como um local, mas sim como o estado de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;separação &lt;/span&gt;do sujeito de Deus: exactamente a circunstância luciferina. Note-se, mais aterrador, a semelhança entre Lúcifer, literalmente, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o que leva a luz&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;lux&lt;/span&gt;[luz]+&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ferre&lt;/span&gt;[levar, transportar]), e Prometeu, que roubou a luz (o fogo). A própria linguagem nos parece claramente indicar uma estranha ligação entre as duas personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, o imaginário cristão jamais poderia comportar a ideia de uma criação não divina, mas diabólica, isto é, que tudo o que existe não tenha sido criado por Deus, como afirma o Génesis. As primeiríssimas heresias cristãs, que afirmavam a matéria como mal, pareciam defender, implicita ou inconscientemente, que, a matéria, enquanto algo de claramente negativo, não podia ter a origem num ser bondoso, Deus, mas num deus menor, num demiurgo, num diabo, que, malvado, criara a matéria malvada. Não existia forma de compatibilizar as ideias, contraditórias, de Deus como criador de tudo e da matéria como algo negativo, mau. Obviamente, para suprir este dilema, o cristianismo ultrapassou esta dialéctica platónica que parece ter sido seu apanágio durante a Idade Média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, aquando do aparecimento da figura de Prometeu na mitologia grega este dualismo platónico estava totalmente ausente, pelo que a criação do homem em matéria (e espírito: recordemos, de novo, que não se falava ainda no maniqueísmo que Platão mais tarde introduziria ao falar de um Hiperurano onde os seres humanos existem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;somente&lt;/span&gt; enquanto almas) não é considerado um acto mau, nem, note-se, ainda sequer um acto de rebaldia (como o pretende fazer Goethe). De acordo com o mito, Prometeu e o seu irmão titã criaram os seres vivos (Prometeu somente o Homem, sozinho) sob autorização de Zeus, para povoarem a terra. Nem, sequer, podemos declamar o verso de Goethe "E para te não venerar", já que, diz a tradição mítica helénica, foi Prometeu que ensinou aos homens o dever do sacrifício para com os deuses e das libações que lhes deviam. Sabendo nós que Goethe não era, de forma alguma, um ignorante nestas matérias clássicas, só podemos entender o por ele escrito como uma deliberada tentativa de associação da figura de Prometeu à de Lúcifer, no conceito de um caído e rebelado, e mesmo à ideia do Demiurgo, no sentido em que Prometeu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cria&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o termo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;demiurgo&lt;/span&gt; contém uma carga negativa latente, um desprezo óbvio, quer por parte de Platão quer por parte dos gnósticos, que dele bebem, ele aqui surge totalmente retransfigurado, no cimo do monte tabor, ladeado do seu elias e do seu moisés: e nós, na sua contemplação, pedros, contruamos três tendas. Aqui o desprezível Demiurgo torna-se no resplendoroso Prometeu. O acto criador do velho Demiurgo, antes ele e o seu acto achados baixos, menores e maus, são agora subidos a toda uma nova categoria quando abandonamos essa terminologia satírica para com eles para falarmos da imagem helénica de Prometeu. Quem olha desprezivelmente para Prometeu? Ele é o deus menor ainda, nem deus é, é titã, o grosseiro titã, comentarão os deus olímpicos dos seus tronos de esmeraldas, mas ele é, a nós, homens, seus filhos, o pai, o criador: ele nos deu plena existência. Não achamos mais um deus menor que emprisionou os nossos espíritos, antes livres no etéreo, na matéria, achamos sim, há semelhança do Deus cristão, um criador que nos cria, pela primeira vez, inteiros, matéria e espírito (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;anima&lt;/span&gt;, em latim, aquilo que anima, ou seja, dá vida, literalmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Goethe opera esse milagre, naqueles versos citados por Nietzsche, de fundir, simultaneamente, as figuras de Lúcifer (no sentido da revolta) e Deus (no sentido da criação), nesse híbrido que é Prometeu. Prometeu, desde o início, elevou os homens à condição de Deus, dando-lhes o saber (do qual o fogo, em última análise, mais não é que, enquanto luz (Iluminismo), uma metáfora), o que incendiu tanto a ira de Zeus. Aqui, vemos, obviamente paralelismos bíblicos, com a Árvore do Conhecimento que Deus proibiu Eva e Adão de comerem. Mas a Serpente-Lúcifer-Prometeu dá a maçã aos homens, trazendo-lhes o conhecimento, o qual, inevitavelmente, traz sofrimento, quer ao tentador, quer aos tentados. É isso que nos diz não só o relato do Génesis, mas também o mito grego, quando, por um lado, Prometeu é agrilhoado no Cáucaso, por outro, Pandora desce à terra com os males do mundo e os liberta, punindo a nossa raça. Uma outra vez, reforça-se a ligação Lúcifer-Prometeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecemos ter aqui a confirmação da sabedoria profunda de Nietzsche, que escrevia, pouco antes de citar estes versos, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;aquele que decifrar o enigma da natureza [...] há-de [...] violar as sagradas leis da moral."&lt;/span&gt; ou ainda &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"lança da sabedoria volta-se contra o sábio: a sabedoria é um crime contra a natureza"&lt;/span&gt;. A inconsciência, no sentido de não saber, seria o estado primitivo (por isso Uno &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Primordial&lt;/span&gt;) de Eva e Adão (em metáfora de todos os homens) até Lúcifer-Prometeu os tentar. É deste Uno Primordial em que tudo é paz, porque inconsciência (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Ignorance is bliss&lt;/span&gt;" - Cypher, Matrix) (que é a ingenuidade, a tão louvada ingenuidade, mais do que um não saber?), que Lúcifer-Prometeu quer arrancar os homens. Diz o mito que Zeus não concordava com o que Prometeu fazia aos homens, que ele [Prometeu] via como superiores a todos os restantes animais, achando [Zeus] que os homens deviam ser semelhantes às bestas. A sabedoria surge como uma ofensa aos deuses. Na ignorância se moviam a pré-Pirra e o pré-Deucalião (sem nomes na lenda) até Lúcifer-Prometeu lhes dar a luz (fogo), ele que, é, por Lúcifer, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o que leva a luz&lt;/span&gt;, por Prometeu, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o que vê mais longe&lt;/span&gt;. Note-se, na etimologia de Prometeu, o verbo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ver&lt;/span&gt;: saber é ver, ver implica, enquanto fenómeno físico, necessariamente, a luz. Esta é a sabedoria maior, a de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o ver longe&lt;/span&gt;, ou profecia. Pela profecia, Prometeu foi salvo: Zeus não podia dispensar saber quem seria aquele que o destronaria: preso ao poder, prendeu à rocha aquele que doutro modo mataria. Prometeu ensinou os homens, diz o mito, a estudar os astros e sabemos como nesse tempo que era o da Antiguidade, astronomia era equivalente de astrologia, e que outro intuito tem esta senão conhecer o que está para vir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a sabedoria é, como vimos, uma ameça aos deuses, como não o pode ser mais a profecia, o conhecimento do próprio destino? Os seres humanos humanos ameaçavam saber tanto como os deuses, ser tão poderosos como os deuses - e, então, que poder teriam os deuses? Obviamente, entende-se a preocupação destes. Os deuses constituem-se assim como uma espécie que existe apenas em função da conservação e execução do poder. (Um comunista podia ler aqui uma bela metáfora contra o capitalismo - pobres gregos que não sonhavem estes marxistas aproveitamentos!). O que Prometeu vem, proletário revolucionário, fazer é incentivar os homens a rebelarem-se, à semelhança de como ele se rebelou contra Zeus. Rebelado, ele pode ser mais infeliz, mais miserável, porque perdeu a benesse da paz e felicidade primordiais, que só se atingem na inconsciência, no nirvana budista, mas, em contrapartida, tornou-se livre, e a sua liberdade conquistada, não a cede por nada. Fora da mansão do seu senhor, o escravo não tem o pão que, todos os dias, o mestre lhe assegurava na mesa, não tem a água pura que o dominador lhe servia, mas é livre! E a única coisa pela qual pode ceder a sua liberdade (que antes dissémos não ceder jamais) é pela concessão de liberdade aos outros. Assim se entende que Prometeu, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aquele que prevê&lt;/span&gt;, porque prevê, sabendo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a priori&lt;/span&gt;, do seu castigo, tenha, mesmo assim, roubado o fogo: a única coisa pela qual a liberdade é passível de ser cedida é pela própria liberdade. E, pelo fogo, Prometeu concretizou a libertação dos humanos dos deuses. Prometeu, foi, num certo sentido, o primeiro anarquista. Dizia Bakunine que "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se Deus existisse realmente, seria necessário fazê-lo desaparecer"&lt;/span&gt;. Prometeu e Bakunine partilham a visão de um Deus que apenas procura preservar o seu poder (o que, implica, necessariamente, alguém que se submeta a esse mesmo poder e pelo qual esse poder se possa exprimir, em lhe [ao poder] obedecendo). Ante esta escravatura, os dois apelam à libertação do homem. Lúcifer, esse, procura libertar o ser humano da prisão da sua ignorância, que é inclusive a ignorância da sua prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo, porém, ao leitor atento, parece falhar neste edifício. E, ai!, que até a mim me intrigava! Mas, como quando se escreve, tudo se desentreva, assim, em quanto me explanava em buscas de sentidos, achei-o. Sim, certo, o mito é claro nesse aspecto: depois de roubar o fogo do Olimpo, do carro de Hélio, Prometeu aconselhou os homens, que faziam fogueiras para aquecerem os alimentos e os corpos, a, para aplacar a ira de Zeus que ele&lt;span style="font-style: italic;"&gt; previa&lt;/span&gt;, que lhe oferecessem um sacríficio (aqui a introdução do sacrifício, antes mencionada e atribuída ao titã). Para isso, matou-se um boi. Mas, eis companheiros, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"brothers, your humble narrator&lt;/span&gt;" acercou-se da lenda e entendeu, enfim, o seu pormenor que não deslindava. Concentremo-nos no futuro do boi. Prometeu didiviu os restos do boi em duas partes, que envolveu em pele. A porção maior continha apenas gordura e ossos; a mais pequena repletava-se de boa carne. (há outras versões do mito, que o narram diferentemente, mas, tratam-se de pormenores ou divergências que, na medida das várias versões por nós conhecidas, em nada afectam as conclusões tiradas antes). Prometeu, ante Zeus, disse ter reservado a menor para os deuses, mas o pai do Olimpo indignou-se. Matreiro, como um Loki nórdico, Prometeu deixou, com um sorriso, Zeus escolher que porção queria e, obviamente, o guloso escolheu a maior - só para perceber como fora ludibriado. Note-se, pois, que Prometeu tudo isto fez para enganar os deuses - há aqui um sarcasmo, um desprezo. Ele introduziu o sacrifício, concordo: mas com o único intuito de ridicularizar Zeus. Por isso, o próprio sacrifício, na forma em que Prometeu o introduz, tornar-se um acto de revolta contra os deuses, não de subserviência. Goethe escrevia afinal bem quando nos deixou o verso "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E para te não venerar, /Como eu!"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma última questão prende-se com a criação dos seres humanos por Prometeu-Lucífer, apenas aflorada anteriormente. Lúcifer é aqui equiparado ao Demiurgo gnóstico só no sentido em que, não sendo o verdadeiro Deus, é um criador também. Segundo um os Três Livros de Enoque, bisavô de Moisés, (estes livros, não pertencendo ao cânon, foram citados e reconhecidos como inspirados por vários Pais da Igreja), Deus escolhera um grupo de anjos específicos (os quais, posteriormente, cairiam) para auxiliar na construção do Éden. A narrativa descreve como se apaixonaram pelas mulheres e lhes geraram prole, razão pela qual, segundo o autor teriam sido expulsos. Esta visão que muitos tardariam a qualificar de apócrifa está, na realidade, bastante bem documentada no Génesis. Passamos a citar o início do sexto capítulo do primeiro do Pentateuco: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quando a humanidade começou a ser mais numerosa na terra e foram nascendo mais raparigas, os seres celestes viram que estas eram belas e cada um deles escolheu para sua mulher aquela que mais lhe agradou. [...] Havia então na terra os gigantes e continuaram depois a existir. É que os seres celestes tinham casado com as filhas dos homens e tinham gerado filhos. Foram estes os famosos heróis dos tempos antigos."&lt;/span&gt; (Gn, 6, 1-4). Porém, não nos interessa especificamente este relato e só o transcrevi para maior credibilidade dar aos Três Livros de Enoque. O que estes nos revelam de importante é a intervenção directa dos anjos na criação do mundo. O texto, obviamente, não assume a possibilidade que não tenha sido Deus a criar a raça humana, mas involve directamente os caídos na feitura do mundo. Também Prometeu, como referido, cria os homens sob ordens de Zeus (ainda que este solicitasse apenas criaturas, sem especificar, para popular a terra). Se estamos perante um anjo-titã que se revolta contra a autoridade, como entender este acatamento de ordens da mesma autoridade? A tradição (do mito e do cristianismo) remete, frequentemente, a queda para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;depois&lt;/span&gt; da criação do ser humano, pelo que, sem embargo, podemos reconhecer Prometeu coerente, o mesmo Prometeu que, anteriormente, se associara mesmo a Zeus para destronar os outros titãs. Contudo, se tudo isto aqui explanamos, é numa tentativa de remeter sentido ao verso "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eis que modelo homens&lt;/span&gt;", na tentativa de ligar mais prontamente Prometeu e Lúcifer. Para tal, tínhamos antes feito equivaler Lúcifer, na coisa de criar, ao Demiurgo gnóstico. Porém, a ligação das duas imagens que fazemos é relativamente vaga, pelo que seria mais acertado o associarmos ao binómio gnóstico Sophia/Demiurgo, que sabemos [este último] ser uma emanação de Sophia, a qual, por sua vez, era a emanação mais fraca de Deus. Lúcifer comporta esta dupla divindade: é Sophia enquanto portador de sabedoria, e é Demiurgo enquanto criador do mundo. Porém, não nos coibimos de concordar que é forçado unir, neste ponto específico, as imagens de Prometeu e Lúcifer, se não concedermos em não aceitar a versão de Goethe e do mito na sua versão mais conhecida, de que Prometeu criou, de facto, os seres humanos. Porém, ainda que este assunto seja portador de grande relevância, se aqui o tratamos foi por razões de honestidade e clarificação. Ele, na teologia nova do saber que aqui abordamos, no âmbito só em que Nietzsche a usa, mantém, independentemente da sua resolução correcta, inalteráveis e válidas as assumpções anteriormente feitas em matéria de conhecimento (fogo/luz) trazido pelo Prometeu-Lúcifer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos aptos a sintetizar então toda uma teologia alternativa: no começo, era o que chamámos de Uno Primordial: um descanso pacífico infinito de Deus/Zeus e das Suas criações. Nele, uma dessas criações (Prometeu-Lúcifer) revolta-se, ao despertar desse Uno Primordial, entendendo, enquanto criação, o seu estado de submissão ao poder instituído (Deus/Zeus). [?Cria as suas próprias criaturas: e, nesse, e apenas nesse, sentido de que cria sem que que seja a Entidade Máxima, é demiurgo.?] Aos homens ensina. Os deuses (Deus/Zeus) reagem negativamente à escalada de conhecimentos das criaturas que antes, no Uno Primordial, porque ignorantes, se lhes submetiam, sendo felizes. Com o conhecimento dissolve-se a ignorância, com ela a subserviência. Os homens escalam ao estatuto de deuses e dispensam-nos, gozando das libações que lhes prestam. Como castigo, o seu libertador (Prometeu-Lúcifer) é condenado, bem como eles mesmos. Os poderes (Deus/Zeus) surgem, pois, como vingativos, sendentos de poder, e Prometeu-Lúcifer como o salvador da Liberdade pela Sabedoria: a gnose, com a ascenção à condição igual dos deuses, e a queda necessária de belerofonte que isso implica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115297256564802216?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115297256564802216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115297256564802216' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115297256564802216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115297256564802216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/07/prometeu-lcifer.html' title='Prometeu &amp; Lúcifer'/><author><name>Príncipe Myshkin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://i17.photobucket.com/albums/b55/silentdarko/avatar001.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115135251402126225</id><published>2006-06-26T20:52:00.000+01:00</published><updated>2006-06-26T21:08:34.266+01:00</updated><title type='text'>Álcool, Drogas e Videojogos!</title><content type='html'>Existem momentos em que tenho vergonha da ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou antes do que certas pessoas chamam "ciência".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A razão deste post não é uma das eventuais e quase banais críticas que o método de entretenimento que está entre nós desde 80 e qualquer coisa sofre constantemente. Isso é tão vulgar como filmes que nós achamos bons levaram um carimbo de mau dos críticos profissionais. Não, o que me indigna é um chamado estudo científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tema vícios e videojogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, decerto que todos estão familiarizados com esse conceito. Mais algo de que eles são criticados. Mas lá está, a televisão também vicia. O trabalho - sim, por mais inacreditável que pareça, vicia - idem. Sexo também. E claro, comportamentos menos correctos viciam. Mas no fundo, qualquer tarefa sem moderação e uma dose de temperança vicia. Até levar porrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas outro estudo deste género seria recorrente, algo que já todos ouvimos. Mas o problema não está na capacidade viciante dos videojogos, mas sim no aumento da dependência de substâncias narcóticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, leram bem. Esse dito estudo afirma que os videojogos induzem comportamentos alcoólicos e aumentam a probabilidade de um adolescente consumir drogas. E não é um caso de jogo X e Y, esses polémicos que por vezes explodem nas prateleiras das lojas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer videojogo. Até os Teletubbies caça-fantasmas. Qualquer videojogo pode iniciar um adolescente no caminho da droga,  tão perigoso como uma bebida "carregada" numa discoteca ou uma primeira amostragem de "crack".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas coisas defendo, mas por favor amigos, sejam mais criativos e menos ridículos da próxima vez. Se os paizinhos alarmados têm vagar para arranjar bodes expiatórios para as quedas dos filhos, passavam melhor esse tempo levantando o rabo dos sofás e olhassem mais para os seus rebentos, se prestarem atenção ao potencial deles e não ao relato de domingo e às quintas e circos de abominações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115135251402126225?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115135251402126225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115135251402126225' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115135251402126225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115135251402126225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/06/lcool-drogas-e-videojogos.html' title='Álcool, Drogas e Videojogos!'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-115109219654684971</id><published>2006-06-23T19:08:00.000+01:00</published><updated>2006-06-23T20:49:56.606+01:00</updated><title type='text'>A arte do futebol</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Eu já disse várias vezes que não gosto de futebol. Não tenho nada contra o desporto em si, contudo, não consigo entender porque razão é que uma nação inteira para durante um dia por um jogo que eles próprios classificam como "pouco importante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem quero imaginar como vai ser com as finais do mundial? Uma semana antes do jogo e outra depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando, é impossível negar o estatuto do universo futebolístico de arte. Ao mesmo nível dos jogos de circo ou das execuções públicas e corridas do hipódromo, mas arte na mesma. Pão e Circo é uma medida de arte popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendendo a análise anterior, é fácil estudar a arte com que o futebol é vendido, a decoração que a sua básica premissa acarreta. Ora as suaves bandeiras que nos impingem mil e um produtos, não são ela arte, parte da cor de um jogo de futebol? Porra, até a vernaculidade da claque e dos jogadores castigados, a mais esbelta arte do insulto? E do murro? E da invasão de campo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os clássicos? As maravilhas em tela e película inspiradas pelo mui nobre e exaltado acto de chutar a bola? Futebol... arte. E que ninguém se atreva a questionar. Até as figuras, esses Adónis suados que compensam de boca fechada as graças que nas cabeças não lhes incidiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repito, futebol é uma arte. A cultura de uma nação.&lt;br /&gt;Que se lixe o Nobel da Literatura. Eu quero um Nobel do Futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-115109219654684971?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/115109219654684971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=115109219654684971' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115109219654684971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/115109219654684971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/06/arte-do-futebol.html' title='A arte do futebol'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114950751868092734</id><published>2006-06-05T12:36:00.000+01:00</published><updated>2006-06-05T12:44:21.963+01:00</updated><title type='text'>O Caminho da Serpente  - Prólogo:  Eu e a Cerca</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;− Ouse viver! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O chamamento ecoou, usando um universo de matéria para atingir as suas vítimas, num desafinado e distorcido comprimento de onda. Furioso, Avier voltou-se para a caserna. Era mais uma vez o outro sargento e o seu detestável programa de rádio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;− Ouse viver! Ouse ganhar! Ouse chaammmaaarrr − continuava o terrível &lt;i style=""&gt;jingle&lt;/i&gt;. Como poderiam aguentar aquilo? Companhia, era a desculpa do costume. Balelas, praguejava Avier. Se queriam ouvir uma voz humana, ligassem para as informações… Um rádio? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;− Baixa-me essa porcaria! − gritou, em iguais porções de fúria e autoridade. − Se não o fizeres, garanto-te que te mando para o outro lado! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Falhou em receber resposta, a ensurdecedora cacofonia do aparelho dissolvendo toda a razão. A dez quilómetros de tudo e a maior distância de nada, não adiantava enervar--se. Afastou-se ainda mais da caserna, metralhadora a tiracolo e pacote de cigarros na mão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sobravam três. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Rendido, pegou no isqueiro e acendeu-o. Levou-o aos lábios, recebendo o fel como ambrosia, alegria destilada de um mundo que os tinha esquecido. Mas ele era necessário. Todos os soldados acabavam ali, era o último serviço pela pátria. Antes da reserva…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Amostra grátis do oblívio que os esperava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Guardar a Cerca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;− Boooooommm diaaaa, bem-vindos à &lt;i style=""&gt;Hora Mágica&lt;/i&gt; − guinchava o locutor, pelo tom um homem de meia-idade. Não haveria nenhum programa com mulheres de vozes sensuais? Avançou, procurando distância. Saboreou o cigarro enquanto observava as tristes nuvens que se aproximavam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Nunca fazia bom tempo na região. O pessoal na cidade costumava falar de mau &lt;i style=""&gt;feng shui&lt;/i&gt;, de linhas invisíveis dilaceradas por uma draconiana muralha de arame e aço. Mas Avier sabia melhor… a Cerca era necessária para manter o mundo saudável. Era um sacrifício válido. Se o que estivesse do lado de lá fosse assim tão importante, de certeza que ninguém se iria esquecer…&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Na sua mente simples e habituada a obedecer, a verdade era simples.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;As pessoas nunca se esquecem das coisas importantes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;− E o nosso primeiro concorrente de hoje é Joseph. Diga-me Joseph, está pronto para responder à pergunta de hoje… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Avier parou de andar. Atirou o cigarro ao chão, verdadeiramente nos limites. Aquilo já era tortura, não havia algum lugar para onde pudesse escapar? Pensou nos trinta quilómetros da Cerca. Nalgum lado não ouviria o estúpido rádio. Animado, acelerou o passo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;− Para ganhar um fantástico desfibrilador de ovos… − ouviu-se num guinchar electrónico. Desfibrilador de ovos? Ouvira bem? − Joseph: que imperador tornou Santo o Império Romano? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Santo, santo, santo. Quantas vezes Avier ouvira essa palavra? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Quantas vezes o seu significado lhe tinha escapado? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Fez menção de pegar num segundo cigarro, mas conteve-se. Aquilo não podia ser bom para ele. Só lhe faltava mais um mês, mais um mês e ia deixar de precisar de fumar veneno… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;− Bismark? − novo guincho do rádio. Tinha que se afastar mais…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Ao contornar duas árvores, observou algo estranho no linear padrão de losangos de arame. Um enorme rasgão dividia a Cerca, quebrando a sua perfeita integridade, violando o círculo mágico que a impedia de contaminar o mundo que amava… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Ligou o rádio. Estática. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Continuava a ouvir o mesmo programa. Como? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Pegou na arma, encontrando na sua frieza um invulgar conforto. Aproximou-se rapidamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Distinguiu três figuras, correndo entre a vegetação. Traziam roupas pesadas e mochilas bem abastecidas. Mas que loucura os levava a procurarem a morte? Num misto de piedade e devoção ao seu papel de guardião, Avier disparou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Era melhor aquela morte, fácil, do que o lento consumo que os aguardava no interior da Cerca. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Foi então que sentiu, um estranho ricochete. O peito doía-lhe, como se ele próprio tivesse sido baleado. Contudo, ao abrir a camisa constatou que não havia uma única ferida de entrada. Como era isso possível? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Novo ardor, desta vez tão forte que o estatelou no chão. Não conseguia mexer as pernas, apenas esbracejava impotente enquanto fitava a Cerca. Algures na relva, intermitente e espectral, uma serpente fugia. Tinha agora a certeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;Era uma serpente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;E tinha-o morto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-family:georgia;" &gt;− Lamento, mas penso que a resposta está errada…&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114950751868092734?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114950751868092734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114950751868092734' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114950751868092734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114950751868092734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/06/o-caminho-da-serpente-prlogo-eu-e.html' title='O Caminho da Serpente  - Prólogo:  Eu e a Cerca'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114782518368038965</id><published>2006-05-17T01:17:00.000+01:00</published><updated>2006-05-17T01:19:43.693+01:00</updated><title type='text'>Cruzadas literárias I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Cada medida tem a sua ferramenta.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;Massas em balanças, volumes em receptáculos, sabedoria em erros. Na literatura, a ferramenta de avaliação mais comum é o chamado “estilo”. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nos últimos tempos, tem emergido bastante um estilo chamado de “fantasy” ou fantástico. Basicamente consiste em exercícios criativos extremos, cenários abstractos e que ao mesmo tempo assentam no colectivo da humanidade. Nomeadamente, dentro desse estilo existe uma subclasse mais jovem, o “high fantasy”. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sendo mais jovem, é mais bruto e apela mais a adolescentes e jovens adultos. Apesar de não morrer de amores pelo género, reconheço o seu potencial. Contudo, esse estilo tem os seus inimigos.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;A sua causa não é de todo injustificada. Afinal, vários títulos do género surgem já emergidos numa grande rede de clichés e de histórias pouco originais, autênticas receitas. Mas eu pergunto, é um fenómeno isolado.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;Algo me diz que não. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quantos clones não existem? Em todos os estilos. Alguém se lembra do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;space opera&lt;/span&gt;? &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Ou mais recentemente, o surto de romances “pseudo-históricos” “pseudo-policiais”? Qualquer ramo da literatura que dê bons frutos está condenado a produzir sementes que dão árvores pálidas e tristemente semelhantes à mãe. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;E é isso que digo aos inimigos de um estilo que usam estes argumentos. Escolheram o antagonista errado. É a má literatura que devem combater e boicotar. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114782518368038965?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114782518368038965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114782518368038965' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114782518368038965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114782518368038965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/05/cruzadas-literrias-i.html' title='Cruzadas literárias I'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114536214921190164</id><published>2006-04-28T12:44:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T12:10:07.623+01:00</updated><title type='text'>Um olhar de silício, uma apatia social...</title><content type='html'>O corpo humano é limitado, mas mesmo assim, surpreendentemente resistente. Tomem por exemplo os nossos ossos. Aparentemente, mero material de sustentação, parece lógico assumir que qualquer emulador metálico desempenharia o seu papel na perfeição. Rejeição aparte, as coisas não funcionam assim. O osso mais simples é uma maravilha da arquitectura celular, capaz de suportar tensões que desgastariam muitos materiais na questão de meros anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é de ossos que quero falar. Apesar de extremamente engenhosa, a natureza está longe de ser perfeita. Os nossos sentidos, lanternas para a realidade, são limitados e falham. Até pouco tempo atrás, a perda da visão ou de outros sentidos prejudicava imensamente os indivíduos afectados, cortando-os daquilo que assumimos como "normalidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios sempre existiram, mas muitas vezes não são aplicadas. Recordam-se de quando começaram a ser aplicados computadores em Braille em Portugal? Eu sim.&lt;br /&gt;Foi duas semanas atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não me delongo em queixas, basta andarem pelas ruas e um pouco de &lt;em&gt;role-play&lt;/em&gt; para imaginarem as dificuldades que o nosso planeamento urbano e social impoe sobre aqueles com deficiências sensoriais e/ou motoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos vistos, está mais que provado que tenho talento para me dispersar. Porque comecei este artigo? Para vos falar dos &lt;em&gt;chips &lt;/em&gt;neuromorficos. Estes pequenos engenhos de silício estão a ser testados para substituir neurónios sensoriais e motores danificados. A tecnologia já alcançou grandes sucessos na área da correção visual, curando cegueira. Outras áreas estão abertas, embora por agora os gráficos destes "computadores visuais" estejam muito aquém da visão natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, dispomos dos meios.&lt;br /&gt;Mas infelizmente não é possível inventar maior civismo e exigir resultados...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114536214921190164?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114536214921190164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114536214921190164' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114536214921190164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114536214921190164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/um-olhar-de-silcio-uma-apatia-social.html' title='Um olhar de silício, uma apatia social...'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114590944120744110</id><published>2006-04-24T20:54:00.000+01:00</published><updated>2006-04-24T21:10:41.386+01:00</updated><title type='text'>IndieLisboa 2006</title><content type='html'>Está a decorrer em Lisboa, até ao dia 30 de Abril, o Festival Internacional de Cinema Independente (IndieLisboa). A organização organizadora do evento, a Zero em Comportamento, apresentou um programa que envolve cerca de 282 filmes independentes, incluindo 14 estreias mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as produções independentes internacionais, figura uma forte fatia nacional, seis longas-metragens e quarenta e duas curtas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Lisboa, além de decorrer nos habituais King e Fórum Lisboa, o festival vai estender-se à sala de cinema Londres. Com o intuito de disseminar o gosto pelo cinema independente, vão ser lançadas iniciativas semelhantes em Guimarães, Famalicão, Moita, Nazaré e Aveiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114590944120744110?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114590944120744110/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114590944120744110' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114590944120744110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114590944120744110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/indielisboa-2006.html' title='IndieLisboa 2006'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114423444228892020</id><published>2006-04-24T11:22:00.000+01:00</published><updated>2006-04-24T20:52:41.490+01:00</updated><title type='text'>Células estaminais, células de discórdia...</title><content type='html'>Células estaminais são células não-especializadas e com grande capacidade de divisão, podendo tornar-se células musculares, nervosas, ósseas... A sua investigação sempre foi vista com grande esperança pela engenharia de tecidos. Contudo, é uma área que levanta muita polémica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando os benefícios óbvios de conseguir condicionar células estaminais a tornarem-se qualquer célula em falta no organismo - como por exemplo, os limitados neurónios -, as células estaminais apenas abundam em seres humanos em formação. Ora, o principal meio actual de obtenção de células estaminais é a partir de nados mortos... o que levanta muita poeira, pelo que nalguns países, investigação em células estaminais chega a ser ilegal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até recentemente, a alternativa mais comum era o congelamento de cordões embrionários para estudo das células estaminais neles contidas. Curiosamente, essa ideia partiu de uma mente Portuguesa - o que prova mais uma vez que não somos menos que os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, cientistas americanos da Califórnia reclamam ter conseguido produzir células estaminais a partir de gónadas masculinas. Neste momento, outros laboratórios estão a tentar reproduzir a experiência, no âmbito de assegurar a sua viabilidade. Se for verdade, toda a polémica pode assentar e a engenharia de tecidos vai ter um novo brinquedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes basta uma ideia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114423444228892020?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114423444228892020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114423444228892020' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114423444228892020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114423444228892020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/clulas-estaminais-clulas-de-discrdia_24.html' title='Células estaminais, células de discórdia...'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114553766770017052</id><published>2006-04-20T13:35:00.000+01:00</published><updated>2006-04-20T13:54:27.786+01:00</updated><title type='text'>Prémio ISPA 2006</title><content type='html'>Aproxima-se o encerramento das candidaturas do prémio ISPA deste ano, uma iniciativa da mesma entidade, com os objectivos de "estimular a inovação, o método, a criatividade e o rigor científico na investigação na área da Psicologia e afins", premiando jovens cientistas portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prémio consiste no montante de 2.500€ e visa premiar publicações já apresentadas ou pendentes para publicação em revistas internacionais. As candidaturas devem ser apresentadas até 5 de Maio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações, consultem o regulamento em:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ispa.pt"&gt;www.ispa.pt&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114553766770017052?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114553766770017052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114553766770017052' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114553766770017052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114553766770017052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/prmio-ispa-2006.html' title='Prémio ISPA 2006'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114424377601737976</id><published>2006-04-19T14:01:00.000+01:00</published><updated>2006-04-20T18:47:10.083+01:00</updated><title type='text'>O fenómeno "Blog"</title><content type='html'>A última sondagem feita na comunidade, descortinou um número bastante redondo: quase um milhão de utilizadores no ciberespaço nacional. Bem, esse número tem de ter algum significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que afinal sustenta os blogues?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar a facilidade: qualquer pessoa com acesso à internet e algum tempo livro pode construir um. Apesar da acessibilidade, isso não garante visitas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é mais demorada, focada em conteúdos e numa estranha evolução. Os blogues estão a tornar-se no jornalismo da era digital, segundo certos analistas. Existem blogues que são autênticas "cartas postais", ou até folhas noticiarias. A informação é partilhada velozmente e por vezes com um rigor e profissionalismo que tem vindo a desaparecer dos &lt;em&gt;media&lt;/em&gt; tradicionais, mais apegados à manipulação emotiva do que à própria circulação de informação. Basta recordar que foram "bloggers" os primeiros a passar as notícias dos &lt;em&gt;tsunamis &lt;/em&gt;asiáticos, no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, que aí estamos a falar de blogues cuidados, já com um nicho e com uma equipa dedicada e profissional. Como tudo, os blogues são uma poderosa máquina de (des)informação. Muitas vezes os blogues não são plataformas de comunicação e divulgação, mas sim "pequenos e públicos cantinhos privados", reservatório de pensamentos ou valores. Podem ser minas culturais ou de "rabiscos emotivos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, diversidade causada pela facilidade de criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar desta visão mais radiante, eu não sou cego. Sei bem que existe o lado "negro" dos blogues - ou lados doutras cores, como o "rosa" -. Infelizmente, esse milhão de visitante deve ser engrossado pelos blogues mais visitados, o que pode parecer óbvio e ser estaticamente esperado. Infelizmente, quando alguém faz uma pesquisa do top de blogues normalmente dois resultados predominam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pornografia e séries "infanto-juvenis" (&lt;em&gt;Morangos com Açúcar&lt;/em&gt;, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá que pensar. Como tudo, os blogues são mais uma ferramenta.&lt;br /&gt;Só pode ser julgada pelo uso que lhe é atribuído.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114424377601737976?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114424377601737976/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114424377601737976' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114424377601737976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114424377601737976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/o-fenmeno-blog.html' title='O fenómeno &quot;Blog&quot;'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114408762453370272</id><published>2006-04-10T18:38:00.000+01:00</published><updated>2006-04-15T18:38:50.210+01:00</updated><title type='text'>"Células de Hidrogénio? Só se for lá fora..."</title><content type='html'>Em primeiro vou fazer uma confissão que vai arruinar a já ténue reputação do &lt;em&gt;Ars Scientia&lt;/em&gt;. Eu não leio a &lt;em&gt;Bola&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;Record&lt;/em&gt; ou outro jornal desportivo, e sinceramente, não lhes acho piada. Para culminar, para além de me tentar actualizar o máximo que possível sobre os eventos nacionais e internacionais... compro jornais diários (não desportivos). É uma pena não seguir os títulos mais vendidos, mas espero que esta comunidade me perdoe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num tom mais sério, tenho acompanhado com tristeza a falta de energia que o povo português deposita sobre si mesmo, a baixa confiança. Isso manifesta-se por todos os aspectos, desde culturais a linguísticos. Poderia falar nesses, mas por agora vou parar nos motivos económicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que dizem que o Interior está a morrer e que ninguém faz nada por ele, que Portugal perdeu o comboio industrial e que só vai haver corrente com um possível choque tecnológico, vou falar de uma história de sucesso. Vou falar da SRE. Soluções Racionais de Energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundada em 2002, possui sede em Torres Vedras e diversos centros de investigação pelo país, principalmente em parques industriais do interior. Apesar disso, é pequena, mas começa a dominar o mercado do hidrogénio. Apesar de - ainda - não trabalhar em combustível de hidrogénio (por acaso tenho acompanhado um doutoramento muito interessante sobre cristais condutores de hidrogénio...), eles têm já baterias de diferentes potências e tamanhos, para coisas tão variadas como automóveis ou computadores portáteis. Os produtos são bastante interessantes mas os preços são proibitivos: em média, cada Watt custa 10€... e isto é o preço de fábrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dêem-lhes mais uma década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é apenas um exemplo, mas outros realçam um historial de sucesso de indústrias Portuguesas reconhecidas tanto em meio nacional como internacional. É verdade que Portugal não pode competir em indústria em série... mas em indústria de qualidade e de alta tecnologia, temos já o nosso nicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca desistam do vosso país. E pensem, cada vez que vocês melhoram... ele melhora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114408762453370272?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114408762453370272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114408762453370272' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114408762453370272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114408762453370272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/clulas-de-hidrognio-s-se-for-l-fora.html' title='&quot;Células de Hidrogénio? Só se for lá fora...&quot;'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114406189457900499</id><published>2006-04-07T10:40:00.000+01:00</published><updated>2006-04-07T11:29:52.293+01:00</updated><title type='text'>Terapia Génica</title><content type='html'>Ah... terapia génica. A polémica das discussões em que trouxe a tua temática ao de cima... os sonhos de colegas e professores, de gente visionária e mentalmente flexível. A desinformação e pré-conceitualizações de gente "especializada"; academicamente treinada para o ensino de biologia secundária e de parcos saberes bioquímicos, mas que mesmo assim se consideram sumidades da matéria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem te chama ficção, quem te chama ganha-pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristes cenários aparte, os factos suportam este lado da barricada. Porque todos os dias, avançam novas ideias sobre terapia génica no mundo... e uma grande fatia é desenvolvida em laboratórios nacionais. Sim, deixem o "espírito de coitadinho" tão aplaudido pelos últimos governos de lado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal está entre os melhores e mais inovadores nesta área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas em que consiste a terapia génica? Basicamente, consiste na utilização de material genético para tratar doenças genéticas hereditárias ou adquiridas. Por exemplo, cancro, doenças vasculares, doenças neurodegenerativas, infecções virais e num caso mais limitado, reduzir e retardar a série de maleitas conhecida como "envelhecimento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para realizar esse propósito são utilizadas diferentes abordagens. Utilizam-se "genes terapêuticos" para processar certas proteínas, marcação de genes, "silenciosamento"e reparação de genes defeituosos. A metodologia de terapia escolhida é condicionada, obviamente, pelo problema alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, o nosso organismo possui um grande arsenal imunológico. Como é que o ADN, uma molécula tão sensível, consegue ultrapassar as defesas naturais do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando mecânicas especializadas - como tecnologia "stealth", onde membranas de proteínas hidrofílicas cobrem-se de água para "ocultar-se" dos glóbulos brancos e outras defesas -, existem duas principais classes de "transportadores" para ultrapassar esse problema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uso de vectores virais, que consistem em vírus geneticamente alterados - recombinados. Na teoria, são óptimos transportadores de ADN, já que passaram os últimos milénios a evoluírem para ultrapassar as já referidas defesas do sistema imunitário. Estes dividem-se, entre outros, em adenovírus e retrovírus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uso de vectores não virais, alcunhados de "vírus sintéticos". Utilizando compostos lipídicos, como lisossomas catiónicos e licoplexos, "escoltam" o ADN até ao local onde esse vai realizar terapia. É um ponto de partida promissor, uma vez que já são usados em fármacos convencionais há anos. A sua relativa pouca eficiência é compensada por uma maior segurança, quando comparados com os vectores virais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos sucessos laboratoriais e clínicos, também existe um historial de fracassos. Por exemplo, elevada dosagem de adenovírus resultou numa resposta inflamatória tão agravada que causou uma morte. Contudo, sucessos como o tratamento SCID com retrovírus animam os esforços. Em França, onze "bebés-bolha" - ou seja, que sofriam de uma doença genética que se manifesta pela total ausência de sistema imunitário -, foram curados com essa terapia génica. Infelizmente, três deles chegaram a desenvolver mais tarde leucemia, dano colateral do uso de retrovírus. Por isso, hoje em dia estamos mais focados para os vectores não virais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, lanço um aviso às mentes mais fechadas que consideram isto impossível. Já existem 22 protocolos de terapia génica em Fase III, ou seja, prestes a entrar em comercialização. Entre esses e os seus primos de gerações futuras, podem emergir a cura para Alzheimer ou retardantes para o HIV...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve, autênticos "banhos génicos", terapias génicas fáceis e regulares serão aplicados para males que até agora temos carregado submissamente. Os dois métodos irão trazer novidades à medicina e melhorar exponencialmente a nossa qualidade de vida. Há que ter esperança, porque quantos mais problemas há, mais soluções podem ser encontradas para os resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desespero é o nosso único verdadeiro inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Especial agradecimentos ao prof. Sérgio Simões da BluePharm e à sua equipa de investigação, sem qual teria abandonado a esperança neste tema.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114406189457900499?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114406189457900499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114406189457900499' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114406189457900499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114406189457900499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/terapia-gnica.html' title='Terapia Génica'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114434925255773186</id><published>2006-04-06T19:38:00.000+01:00</published><updated>2006-04-06T19:47:32.583+01:00</updated><title type='text'>Prémio União Latina</title><content type='html'>Este ano, o vencedor do prémio literário União Latina foi atribuído ao multifacetado artista Frankétienne, de origem haitiana. Entre os candidatos finalistas, encontravam-se também Mia Couto, Fernando Vallejo, Maria Velho da Costa, Gabriela Adamesteanu, Luigi Meneghello, Enrique Vila-Matas e Jaume Cabré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, o prémio foi dividido em dois blocos monetários iguais, totalizando 12.000€. A primeira metade é dada ao escritor, sendo a outra utilizada para financiar a tradução e publicação de uma obra de ficção noutra língua latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um prémio importante, dedicado a divulgar escritores que proveram possuírem "veia internacional". Já agora relembro, que os Prémios União Latina premeiam não só escritores, mas também tradutores - heróis anónimos do sector literário - e artistas plásticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114434925255773186?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114434925255773186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114434925255773186' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114434925255773186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114434925255773186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/prmio-unio-latina.html' title='Prémio União Latina'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114380223250110230</id><published>2006-04-05T11:20:00.000+01:00</published><updated>2006-04-05T10:57:35.740+01:00</updated><title type='text'>Lendo uma herança ilegível II</title><content type='html'>No último artigo delonguei-me com o óbvio e com questões idealizadas e sobre alguns pontos de vistas, quase fantasiosas. E ainda por cima, visões já conhecidas e partilhadas. Aparentemente, vou ter de voltar a falar do ADN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de nos vermos como o pináculo da evolução, o genoma humano é recessivo e retrógado, pouco funcional. Dos milhares e milhares de bases, apenas cerca de 5% destas codificam proteínas. Para os leigos, apenas essa minúscula parcela define efectivamente quem nós somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então para que servem os outros 95%? Sem perder ainda mais tempo, é pouco mais do que uma "arrecadação genética", que tal como os objectos nos nossos sótão, não tem uma função aparente. Mesmo assim, processos de identificação genética e testes de paternidade utilizam esse ADN não funcional; e mesmo no processo de leitura - transcrição -, ele é responsável por evitar mutações e assegurar que não ocorrem erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como as velharias do sótão, este ADN não codificante é precioso. Um legado, a chave da vida. Nele está retratada toda a evolução da vida na terra, tão deturpada que se tornou ilegível, mas tangível. Pequenas parcelas de bases que podem pré-datar os primeiros organismos a emergir do caldo primordial. Pode parecer demasiado poético e rebuscado afirmar que cada ser vivo é uma cronologia da vida na terra, mas no fundo não é mais difícil de acreditar do que o facto de que somos todos constituídos pelos mesmos átomos e iões...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza não apaga nem procura novas telas. No seu imperfeito engenho, ela escreve por cima. Esses rascunhos sobrepostos carregamos em nós, alterados por milénios de evoluções e mutações. Poderia ser inspirador, uma mensagem escrita no nosso genoma, uma mensagem que estamos sempre a descartar e a esquecermo-nos, mesmo quando inúmeros projectos voltam a caminhar na mesma direcção...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um elo que nós liga uns aos outros... e ao nosso lugar no cosmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilegível herança, mas um monumento ao nível do Vale dos Reis ou Stonehenge.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114380223250110230?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114380223250110230/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114380223250110230' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114380223250110230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114380223250110230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/lendo-uma-herana-ilegvel-ii.html' title='Lendo uma herança ilegível II'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114374058578108511</id><published>2006-04-03T06:13:00.000+01:00</published><updated>2006-04-03T10:23:56.296+01:00</updated><title type='text'>Lendo uma herança ilegível I</title><content type='html'>A assunção do ácido dexosirribonucleico como pilar sustentador de vida não é original ou estranha ao modo de vida moderno, antes pelo contrário. Desde que foi descoberto e modelado, foi crescendo em popularidade, sendo absorvido na cultural mais banal e acabando glorificado nas últimas décadas. Por vezes de uma maneira bastante rebuscada e exagerada, como uma chave para o futuro de cada homem e mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente conhece esta visão do ADN, este "código da vida". Tão ordinária se tornou a sua estrutura de hélice dupla, tão grande o seu impacto que deixou de codificar proteínas para se tornar motivo para levar gente à barra do tribunal, como o provam os mediáticos processos onde filhos processam os pais por herdarem destes um código genético "inconveniente". Apesar de bizarros, estes acontecimentos mostram bem a tendência do ser humano para saltar de um extremo para o outro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque ainda nos anos 20 do século passado, o &lt;em&gt;behaviorismo&lt;/em&gt; de Watson dominava a psicologia educacional da época. Ou seja, qualquer pessoa poderia desbloquear um certo potencial - desde que a educação seja adequada. Hoje em dia, vejo com tristeza a divulgação da crença de que tudo o que uma pessoa pode ser está já impresso nos seus genes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer um cenário de ficção científica, mas pode não estar longe o dia em que o genótipo influencie todo o tipo de discriminações, não de todo diferentes daquelas que o fenótipo causou ao longo da história humana. Por exemplo, prisões "preventivas" de pessoas com um "gene associado como criminoso"; decisões de emprego tendo em conta em igual nível genótipo e &lt;em&gt;Curriculum Vitae&lt;/em&gt;... Um estranho fatalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ponto pouco diferente na prática da doutrina de Watson, distinguido na teoria por estar no lado oposto do espectro. Ambos errados, ambos extremos. Tal como um bom ou mau código genético pode ser aproveitado ou contornado, a educação tem os seus limites. O segredo, mais uma vez, está no equilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é mentira que o ADN é um pilar da vida.&lt;br /&gt;Apenas não é o único.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114374058578108511?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114374058578108511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114374058578108511' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114374058578108511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114374058578108511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/04/lendo-uma-herana-ilegvel-i.html' title='Lendo uma herança ilegível I'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114382479554470191</id><published>2006-03-31T17:38:00.000+01:00</published><updated>2006-03-31T18:15:30.190+01:00</updated><title type='text'>Em memória de Stanislaw Lem (1921-2006)</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.mosnews.com/files/1033/picture.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 221px; CURSOR: hand; HEIGHT: 174px" height="187" alt="" src="http://www.mosnews.com/files/1033/picture.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Morreu no passado dia 27 Stanislaw Lem, médico e escritor polaco. Entre as suas obras, incluem-se &lt;em&gt;Solaris&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Astronautas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Ciberiada&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;Eden&lt;/em&gt;, entre dezenas de outros. Um autor de ficção científica inovador, muito mais dedicado ao tratamento dos sentimentos e emoções humanas do que aos aspectos mais "clássicos" do género. Vencedor de diversos prémios, incluindo um Kafka, o talento de Lem conseguiu-lhe o lugar de membro honorário da Science Ficiton Writers of America (SFWA) em 1973. Contudo, a personalidade dura mas sincera de Lem, e as suas críticas severas à ficção científica americana, a qual considerava uma amálgama amorfa de clichés e geralmente mal escrita, resultaram na sua expulsão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa nota de despedida, fica aqui um dos seus poemas favoritos, a essência de &lt;em&gt;Solaris&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;And Death Shall Have No Dominion &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;by: Dylan Thomas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And death shall have no dominion.&lt;br /&gt;Dead men naked they shall be one&lt;br /&gt;With the man in the wind and the&lt;br /&gt;west moon;&lt;br /&gt;When their bones are picked clean and the clean bones gone,&lt;br /&gt;They shall have stars at elbow and foot;&lt;br /&gt;Though they go mad they shall be sane,&lt;br /&gt;Though they sink through the sea they shall rise again;&lt;br /&gt;Though lovers be lost love shall not;&lt;br /&gt;And death shall have no dominion.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And death shall have no dominion.&lt;br /&gt;Under the windings of the sea&lt;br /&gt;They lying long shall not die windily;&lt;br /&gt;Twisting on racks when sinews give way,&lt;br /&gt;Strapped to a wheel, yet they shall not break;&lt;br /&gt;Faith in their hands shall snap in two,&lt;br /&gt;And the unicorn evils run them through ;&lt;br /&gt;Split all ends up they shan't crack;&lt;br /&gt;And death shall have no dominion.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And death shall have no dominion.&lt;br /&gt;No more may gulls cry at their ears&lt;br /&gt;Or waves break loud on the seashores;&lt;br /&gt;Where blew a flower may a flower no more&lt;br /&gt;Lift its head to the blows of the rain;&lt;br /&gt;Though they be mad and dead as nails,&lt;br /&gt;Heads of the characters hammer through daisies;&lt;br /&gt;Break in the sun till the sun breaks down,&lt;br /&gt;And death shall have no dominion.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114382479554470191?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114382479554470191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114382479554470191' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114382479554470191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114382479554470191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/03/em-memria-de-stanislaw-lem-1921-2006.html' title='Em memória de Stanislaw Lem (1921-2006)'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114373771523076299</id><published>2006-03-30T17:32:00.000+01:00</published><updated>2006-03-30T17:57:26.446+01:00</updated><title type='text'>IV Jornadas de Bioquímica e IX de Química Industrial</title><content type='html'>Entre os dias 31 de Março e 2 de Abril vão-se realizar na Universidade de Beira Interior (Covilhã). A comissão organizadora conseguiu convidar diversos oradores, seleccionando peritos em temas como: Química Criminológica, Cardiovascular, Migração de Potrões, Células de Hidrogénio, Toxicologia do Desporto, entre outros, fechando com uma mesa redonda presidida por professores e antigos alunos sobre Saídas Profissionais. Os parabéns aos responsáveis por esta grande iniciativa que não está a ter o destque que merece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114373771523076299?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114373771523076299/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114373771523076299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114373771523076299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114373771523076299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/03/iv-jornadas-de-bioqumica-e-ix-de.html' title='IV Jornadas de Bioquímica e IX de Química Industrial'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114371849851142598</id><published>2006-03-30T12:07:00.000+01:00</published><updated>2006-03-31T20:08:17.110+01:00</updated><title type='text'>O Rosto da Ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://img.photobucket.com/albums/v292/Daemonfey/fettes-alchemist.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand" height="174" alt="" src="http://img.photobucket.com/albums/v292/Daemonfey/fettes-alchemist.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não são invulgares, estas imagens. Não, não é particularmente difícil reconhecê-las, ou pelo menos adivinhar a ocupação nelas representada. Rostos sérios, pensativos, rodeados ou envergando aparatos da mais louca limpeza ou bela complexidade. Uma mão erguida, segurando em contra luz um daqueles atraentes receptáculos de vidro, como nomes bizarramente adequados e que não deixam de atrair a curiosidade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que faz o representado? O que faz ele, nesse quadro conscientemente inconsistente? Ele Olha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, olhar é fraco adjectivo para a força que o observador é condicionado ao gesto simbólico do erguer do "cálice". Fraco também é o mero estudar, analisar, descortinar, focar, processar... Na imagem, aqueles olhos &lt;em&gt;penetram&lt;/em&gt; a realidade, como se entre aquele pedaço de vidro e a luz repousassem todos os segredos do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a imagem que a sociedade, que a nossa cultura mantém do cientista. Uma imagem tão intuitiva, tão enraizada que o facto não consegue derrubar, decerto já conquistou um lugar no subconsciente humano como a imagem mais associada aos investigadores científicos. A sua antiguidade e variedade é discutível, mas basta examinar os contextos associados e vemos que todo o género de cientistas é representado na mesma posição. Nerds de bata branca e fechados dias seguidos nos seus laboratórios, alquimistas presos em iluminaturas e quadros, físicos e químicos devotados, carismáticos e empreendedores cientistas que até ficam bem de Armani...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eles todos, vemos assim. &lt;a href="http://img.photobucket.com/albums/v292/Daemonfey/glass020905_1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 155px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px" height="361" alt="" src="http://img.photobucket.com/albums/v292/Daemonfey/glass020905_1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De olhos profundos, separados da luz por vidros e segredos com que a humanidade sonha.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://img.photobucket.com/albums/v292/Daemonfey/glass020905_1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos voltar um pouco atrás. Donde surgiu afinal esta imagem? Porque razão vemos assim os nossos cientistas? Se fosse uma emulação de trabalho laboratorial factual, a origem seria óbvia. Contudo, qualquer pessoa com um mínimo de formação em áreas científicas reconhece imediatamente um erro na vulgar imagem. Não só a posição a partir do qual o cientista representado observa a amostra é invulgar como é errada, susceptível a vibrações, movimentos e luzes que afectam a percepção do sensível olho humano e consequentemente, a exactidão e precisão de toda uma experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de todos nós a pergunta repete-se.Donde veio afinal esta imagem? Porque está tão fortemente gravada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo impossível postular uma origem como certa. Especulando um pouco, gosto de ver essa imagem com um carinho romântico. Não é um cientista que está ali representado, mas sim algo maior. Toda a humanidade, perdida em busca de conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosidade, aliada a severidade e desejo puro... destilado pelo saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas mais um espelho da raça humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 168px; CURSOR: hand; HEIGHT: 158px; TEXT-ALIGN: center" height="243" alt="" src="http://img.photobucket.com/albums/v292/Daemonfey/scientist.gif" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114371849851142598?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114371849851142598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114371849851142598' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114371849851142598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114371849851142598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/03/o-rosto-da-cincia.html' title='O Rosto da Ciência'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24993134.post-114365071953429100</id><published>2006-03-29T17:36:00.000+01:00</published><updated>2006-03-29T17:45:19.546+01:00</updated><title type='text'>O que há num nome?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Assim nasce o &lt;em&gt;Ars Scientia&lt;/em&gt;... Uma tentativa de assimilar sobre a mesma alçada os universos das artes, ciência e literatura. Nome estúpido em latim, talvez fosse bom para uma grande revista culturalmente abrangente e informativa portuguesa. Mas como o dinheiro é pouco, apenas posso torturar o &lt;em&gt;cyberespaço&lt;/em&gt; com este blog. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Espero que agrade a todos...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24993134-114365071953429100?l=ars-scientia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ars-scientia.blogspot.com/feeds/114365071953429100/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24993134&amp;postID=114365071953429100' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114365071953429100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24993134/posts/default/114365071953429100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ars-scientia.blogspot.com/2006/03/o-que-h-num-nome.html' title='O que há num nome?'/><author><name>Ludovico M. ALves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05223885442891395022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
