sexta-feira, março 31, 2006

Em memória de Stanislaw Lem (1921-2006)

Morreu no passado dia 27 Stanislaw Lem, médico e escritor polaco. Entre as suas obras, incluem-se Solaris, Astronautas, Ciberiada, e Eden, entre dezenas de outros. Um autor de ficção científica inovador, muito mais dedicado ao tratamento dos sentimentos e emoções humanas do que aos aspectos mais "clássicos" do género. Vencedor de diversos prémios, incluindo um Kafka, o talento de Lem conseguiu-lhe o lugar de membro honorário da Science Ficiton Writers of America (SFWA) em 1973. Contudo, a personalidade dura mas sincera de Lem, e as suas críticas severas à ficção científica americana, a qual considerava uma amálgama amorfa de clichés e geralmente mal escrita, resultaram na sua expulsão.

Numa nota de despedida, fica aqui um dos seus poemas favoritos, a essência de Solaris.

And Death Shall Have No Dominion
by: Dylan Thomas

And death shall have no dominion.
Dead men naked they shall be one
With the man in the wind and the
west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through ;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.

quinta-feira, março 30, 2006

IV Jornadas de Bioquímica e IX de Química Industrial

Entre os dias 31 de Março e 2 de Abril vão-se realizar na Universidade de Beira Interior (Covilhã). A comissão organizadora conseguiu convidar diversos oradores, seleccionando peritos em temas como: Química Criminológica, Cardiovascular, Migração de Potrões, Células de Hidrogénio, Toxicologia do Desporto, entre outros, fechando com uma mesa redonda presidida por professores e antigos alunos sobre Saídas Profissionais. Os parabéns aos responsáveis por esta grande iniciativa que não está a ter o destque que merece.

O Rosto da Ciência


Não são invulgares, estas imagens. Não, não é particularmente difícil reconhecê-las, ou pelo menos adivinhar a ocupação nelas representada. Rostos sérios, pensativos, rodeados ou envergando aparatos da mais louca limpeza ou bela complexidade. Uma mão erguida, segurando em contra luz um daqueles atraentes receptáculos de vidro, como nomes bizarramente adequados e que não deixam de atrair a curiosidade humana.

E o que faz o representado? O que faz ele, nesse quadro conscientemente inconsistente? Ele Olha.

Não, olhar é fraco adjectivo para a força que o observador é condicionado ao gesto simbólico do erguer do "cálice". Fraco também é o mero estudar, analisar, descortinar, focar, processar... Na imagem, aqueles olhos penetram a realidade, como se entre aquele pedaço de vidro e a luz repousassem todos os segredos do universo.

Esta é a imagem que a sociedade, que a nossa cultura mantém do cientista. Uma imagem tão intuitiva, tão enraizada que o facto não consegue derrubar, decerto já conquistou um lugar no subconsciente humano como a imagem mais associada aos investigadores científicos. A sua antiguidade e variedade é discutível, mas basta examinar os contextos associados e vemos que todo o género de cientistas é representado na mesma posição. Nerds de bata branca e fechados dias seguidos nos seus laboratórios, alquimistas presos em iluminaturas e quadros, físicos e químicos devotados, carismáticos e empreendedores cientistas que até ficam bem de Armani...

A eles todos, vemos assim.
De olhos profundos, separados da luz por vidros e segredos com que a humanidade sonha.

Mas vamos voltar um pouco atrás. Donde surgiu afinal esta imagem? Porque razão vemos assim os nossos cientistas? Se fosse uma emulação de trabalho laboratorial factual, a origem seria óbvia. Contudo, qualquer pessoa com um mínimo de formação em áreas científicas reconhece imediatamente um erro na vulgar imagem. Não só a posição a partir do qual o cientista representado observa a amostra é invulgar como é errada, susceptível a vibrações, movimentos e luzes que afectam a percepção do sensível olho humano e consequentemente, a exactidão e precisão de toda uma experiência.

Dentro de todos nós a pergunta repete-se.Donde veio afinal esta imagem? Porque está tão fortemente gravada?

Sendo impossível postular uma origem como certa. Especulando um pouco, gosto de ver essa imagem com um carinho romântico. Não é um cientista que está ali representado, mas sim algo maior. Toda a humanidade, perdida em busca de conhecimento.

Curiosidade, aliada a severidade e desejo puro... destilado pelo saber.

Apenas mais um espelho da raça humana.


quarta-feira, março 29, 2006

O que há num nome?

Assim nasce o Ars Scientia... Uma tentativa de assimilar sobre a mesma alçada os universos das artes, ciência e literatura. Nome estúpido em latim, talvez fosse bom para uma grande revista culturalmente abrangente e informativa portuguesa. Mas como o dinheiro é pouco, apenas posso torturar o cyberespaço com este blog.

Espero que agrade a todos...